24 de março de 2013

[Cantinho da Lilian]Literatura e Sexo


Postado por Carol Guimarães

 
Os adultos à minha volta, sempre tentaram me criar com o engano de que a mulher nasceu para servir ao homem. Meu companheiro me chama de pequena mula, e uma amiga me chama de tratorzinho, então creio, que por ter uma personalidade norteada pela teimosia, não poderia acreditar na história dos adultos. Que fique bem claro que a minha personalidade é teimosa e não a minha identidade, o que se configura não ter mais jeito.  Visto que personalidade não muda, mas identidade sim!
Há alguns anos, a literatura é muito clara quanto aos desejos da mulher em relação ao sexo: só depois do casamento para servir ao seu marido! Mas como sabemos que a identidade é resiliente e mutável, hoje, a literatura nos bombardeia com todo tipo de informações. Então falaremos aqui de dois maravilhosos prazeres: literatura e s-e-x-o! Com o direito ao prazer e sem distinção de gêneros ou sexo, o homem pós-moderno é bombardeado com todos os tipos de informações para falar dos prazeres da carne. Então vamos de 50 tons de cinza ao Kama sutra – que se configura em um compêndio do amor com diversas posições sexuais, além de um livro sagrado com as normas que uma mulher precisa saber para um casamento.  De forma camuflada, machista, feminista, direta, vulgar ou técnica o homem sempre escreveu sobre sexo. E cada dia essa necessidade sexual literária cresce em demasia. Apesar de ainda existir uma educação cartesiana quanto ao desejo e ao sexo como algo pecaminoso e sujo, a literatura nos dá um retrato da nossa sociedade: não aguentamos mais repressão! Um homem, não importa os gêneros, é um ser sexual, nasceu para e com isso, e palavras ditas através de gerações que se perpetuam em nossas células, não podem mudar essa realidade. 
Apesar de não ter me deleitado com a leitura de 50 tons de cinza, me parei nos devaneios dos pensamentos reflexivos: ora, qual a razão de um livro que tem 20 páginas de puro sexo, fazer tanto sucesso? E essas músicas que trazem à sexualidade aflorada nas letras e nas danças de forma tão agressivas são os hits do momento? Até torcemos nosso nariz para a cultura de massa, mas a verdade bate à nossa porta como cobrador de nossas contas em atraso, por mais vulgar que a cultura de massa possa parecer, é ela que nos traz a uma realidade sólida. 
A necessidade de homens e mulheres livres é pungente e gritante! E não interessa a educação cartesiana e o moralismo que mantêm nossas cabeças enclausuradas numa prisão assexuada. O nosso corpo grita e a literatura é um registro real de nossas necessidades: liberdade! Sexo, sexo, sexo é bom e existe! E o melhor de tudo é que para o sexo não existe raça, crença, gênero ou classe, pois todos gozam do mesmo prazer! 
Se essa literatura, que é tão criticada pela academia e por aqueles que se reprimem, é a chave para o que necessitamos, então que venha, que venha em nossas prateleiras de livros, nas novelas das 8h, nos CD’s ou nas roupas de piriguete. E que por tudo, por tudo de mais sagrado e profano, possamos nos libertar, possamos nos conhecer, possamos sentir, gritar, ouvir e ser apenas seres humanos! Seres humanos com desejos, pele, corpo, mente e alma, mas acima de tudo, pessoas que podem escolher e que não são regradas como robôs sobre sua própria existência! 
Até o próximo texto que alguém vai me dizer um monte de desaforos e eu vou rir muuuiiitooo aqui em casa, ou então vou me identificar ou refletir com alguns comentários verdadeiros e conscientes.
Xerinho no coração!

Por Lilian Farias
@LiliasFarias
 

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