31 de março de 2013

[Cantinho da Lilian]Um machista no meu quintal


Postado por Carol Guimarães

 
A literatura é ampla e dá espaço para todos. Isso é maravilhoso. Mas como tudo na vida, todo bônus tem seu ônus. Por conta dessa liberação total, encontramos todo tipo de situação. Inclusive passagens violentas contra a mulher e o homem. Sim. Já que é bem comum vermos homens e mulheres machistas. E por que não dizer que na literatura também? Nesse mundo louco encontramos de tudo um pouco.
Confesso que os novos autores nacionais (alguns poucos) tem mostrado esse lado machista bem aflorado. Os clássicos não ficam de fora. Não vou citar títulos aqui, pois sei que é uma situação constrangedora. Mas se alguns de vocês encontrarem resenhas minhas espalhadas na blogosfera perceberão logo. 
É engraçado se deparar com o conceito de algumas pessoas sobre determinados assuntos. Padronizar a vida é quase regra. Tenho uma amiga que acredita que família é formada por: pai, mãe e filhos. E, detalhe: pai e mãe casados na igreja! Se fugir do padrão, não é família, é qualquer coisa! Coitada das viúvas! 
Outra observação que tenho presenciado, entre alguns literários e educadores, é que o homem não pode ter o lado feminino aflorado. O mito da mulher moderna, que desde a segunda guerra mundial, tem sido bem difundido, onde, devemos usar a roupa da moda, ler o que está na moda, pensar como a mídia manda, e, principalmente, fazer muita plástica.
A mulher moderna até pode fazer faculdade, trabalhar fora, casar e separa quantas vezes desejar, mas, tudo dentro de um padrão aceitável. Nossa identidade é jogada no lixo, feito copo descartável! Ser diferente deveria ser normal, mas não é. Ou somos homogêneos, ou somos levados à fogueira.
Tenho lido alguns livros,que me remetem a uma época chata, onde o sinônimo de beleza da mulher era: fraca, burra, vazia, boba, magra, muito magra, macérrima. Claro que agora ela até vai à faculdade, mas continua vazia de sentidos. E o pior é que ela não pode ter seu lado masculino aflorado... sexo? Nem pensar!
Também fica estabelecido que toda feminista é uma subversiva e que não tem o menor senso de feminilidade. São mulheres chatas, que estudam e acreditam nos bons teóricos, que se alimentam de alface, que acreditam num mundo melhor e que só sabem fazer protestos. Ok! Boa alimentação, acreditar num mundo melhor, estudar e ler fica para as subversivas. 
Aos homens cabem coçar o saco e assistir jogos violentos de futebol. O Homem não pode costurar; ler, dançar, pensar, amar uma única mulher, ser carinhoso. E por incrível que pareça, eu vi isso em livros escritos por homens e mulheres. Geralmente livros voltados para o público adolescente. Assustei-me! 
Nossa sensibilidade, por muito tempo, vem sendo desvalorizada, para dar vida a humanos robôs e com programação certa. Devemos usar scarpins e manter o nosso terceiro olho fechado? Somos forçados a aceitar que todo homem é safado e nos mantermos fragilizados? Será verdade que o Mac donalds oferece saúde? O que é feio e o que é bonito? Em qual parte desse machismo e padronismo vigente podemos ser humanos? Podemos ser homens e mulheres?
Esse foi um pequeno desabafo depois de ler alguns livros que abordam uma temática machista. Claro que o livro é meu, pois eu o comprei, por isso está no meu quintal. Eu não vou queimá-lo e tão pouco dizer: Não leiam! Mas também não posso me calar, pois isso não combina comigo. O que me deixou triste é que foram todos livros nacionais. Mas nem tudo é perfeito! Continuo lendo Mulheres que correm com os lobos e muito feliz. Com o terceiro olho abrindo... 
Continuo gostando de autores nacionais, querendo conhecer e não sendo nem um pouco passiva nas minhas leituras. 

Esta feminista feminina que pousa na sopa é
Lilian Farias

5 comentários:

  1. Oiie, Achei bem interessante o assunto abordado hoje. Confesso que concordo, e até a pouco não tinha reparado tanto nessa visão machista nos livros que vem surgindo nessa grande onda hot.
    Achei muito legal ter um visão diferente, o que vai me fazer pensar um pouco mais e ver os livros com uma visão diferente.
    Beijos
    Raíssa Lis
    Flor de Lis - http://florderaissalis.blogspot.com/

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    1. Obrigada, querida!
      http://lilianpoesiablogs.blogspot.com.br/

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  2. Que desabafo, heim!
    Devo acrescentar que, no mundo dos negócios, mulher continua sendo desvalorizada. Seu salário é inferior, mesmo exercendo a mesma profissão do homem. Conquistamos o nosso espaço, mas não mudamos nada.

    Ótima postagem, parabéns!
    Ni
    Cia do Leitor

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  3. Concordo contigo, mesmo que nós já tenhamos conquistados várias direitos, etc, ainda sim o homem é visto como superior em várias histórias :/

    Beijos,
    Caroline, do Criticando por Aí.

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  4. Concordo em alguns pontos e discordo em outros, acredito que o mundo é, e se as coisas continuarem como estão, sempre será machista, infelizmente. Em muitos aspectos, os homens são muito mais valorizados que as mulheres, porém nós também estamos, aos poucos, conquistando nosso espaço.
    Em relação aos livros, acho até mesmo nos livros "hot", ou melhor, eróticos/pornôs, e que todo mundo insiste em comparar à Cinquenta Tons de Cinza, em muitos casos o homem apesar de ser visto muito superior à mulher, ele é capaz de amar, ler, e fazer várias das coisas que você citou no texto, inclusive se entregar mais à relação do que a própria mulher, que é sempre vista como a que ama mais, então eu não sei que tipo de livro você está/estava lendo, ou talvez eu só não tenha pescado as mesmas coisas que você. :)

    Claro, esse é só o meu ponto de vista, como escritora, leitora e blogueira, e também respeito muito tudo o que você disse.

    Ótimo texto, parabéns!

    Letícia - Literature Diary

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