28 de abril de 2013

[Cantinho da Lilian]O que eles andam lendo por ai?


Postado por Carol Guimarães





Narciso era um homem que tinha tanto amor pela própria imagem que morreu de beleza. O homem aranha é o único super herói que paga contas; Jorge amado torna os meninos de rua em grandes heróis nacionais; Lampião mudou a história sofrida do povo nordestino; Policarpo Quaresma foi um personagem central. Nietzsche, Machado de Assis, Erico Veríssimo são somente alguns nomes masculinos da literatura.
Não considero que o homem seja muito bem explorado pela literatura, apesar, de como citado acima, existir diversas facetas masculinas que devam ser levadas em consideração. Pensando bem, uma característica bem marcante é o ponto norteador dos homens na literatura: musculoso, rico, alto, loiro ou moreno. São tipos ‘malhadões da literatura’.
E são justamente esses ‘malhadões da literatura’ que têm me preocupado, pois vejamos o seguinte: qual é a repercussão desses tipos literários na nossa sociedade? – pois é, pode parecer estranho esse questionamento, mas um homem é formado pelo grupo social ao qual está inserido, e os meios de comunicação – inclusive a literatura – ajudam nesse processo.
Dos livros hots aos romances épicos, a literatura não é para homens normais, salve algumas exceções. Ora, por que a mocinha desprotegida não se apaixona por um nerd cheio de espinhas e que usa transporte coletivo para se locomover? Ou então um professor, que vive a realidade de um professor? Ou mesmo por um mecânico? Mas não, a mocinha vai se encantar e se entregar de corpo e alma, por um homem musculoso; alto; pele perfeita; muito rico; empresário e que pode ter todas as mulheres do mundo etc.
E então adentramos no complexo caso do bovarismo. Exatamente bovarismo. Que se refere a certos tipos de atitude neurótica em que o indivíduo, desprovido de autocrítica, imagina-se diferente do que ele é, idealizando a sua personalidade, especialmente no campo sentimental. Além disso, na América Latina, o termo vem sendo empregado também com o sentido da alienação intelectual que precede a construção de uma identidade cultural própria; o teórico haitiano Jean Price-Mars é o primeiro a utilizá-lo neste sentido. (fonte http://www.edtl.com.pt)
Então vocês me perguntam como isso influenciou minha escrita? É o seguinte, esses últimos dias no facebook, recebi uma média de 40 convites para adicionar alguém a minha lista de amigos, como sou educada, aceitei a maioria. Contudo, tenho me deparado com um número gigantesco de homens que têm vergonha absoluta de colocar suas próprias fotos no perfil e colocam algum tipo malhadão ou um herói rico e perfeito. Em seguida, o tipo malhadão, por meio do bate papo, se insinua como se qualquer mulher que tivesse um fecebook estivesse à disposição. É o que eu chamo de TSF (tarados sexuais do facebook).
Eles também postam imagens de mulheres seminuas e super eróticas e mandam mensagens bregas e sem o mínimo de conteúdo. Além de não nos chamam pelo nome, mas gatinha, princesa ou gostosa. Invadindo a nossa privacidade e minimamente não tentando estabelecer algum tipo de relacionamento saudável.
Pra fechar com chave de ouro, quando descobrem que tenho um companheiro, pois eu preciso dizer, visto que eles não sabem ler isso no meu perfil, eles ficam irritados e dizem: quer dizer que você não é livre? Não gosto de falar com mulher casada, pois depois o marido dela quer bater nela e na gente! Mulher casada não tem liberdade. Se o seu marido te ver falando comigo vai te dar uma surra.
Para tudo, o camarada vem me jogar uma cantada e eu vou apanhar do meu marido, e o inútil ainda tem a falta de inteligência de dizer que eu não tenho liberdade? Queridos, o que vocês andam lendo por ai? Ainda tem aquele tipo que se incomoda com as nossas postagens, por terem uma visão machista e preconceituosa, onde a mulher que pensa e a mulher saudavelmente independente não pode ter o mínimo espaço nas redes sociais.
Talvez se a literatura desse mais espaço para aqueles caras que não são plástico e puro músculo, para homens que entendem que nós mulheres somos livres, para aqueles garotos têm espinhas ou alguns quilinhos a mais, ou então para os caras que são ‘mais duros que pau de tarado’ e precisam que a namorada rache a conta no fim do mês com ele, talvez se mostrassem um pouquinho mais o que de fato existe, ao invés de colocarem perfis falsos no homem literário, ai sim, nada seria por acaso.
O que vocês andam lendo por ai?
A terrível Lilian Farias

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